Para ele o mundo estava de cabeça pra baixo. Ele já não tinha horizonte. Já não tinha uma estrela pra seguir, nem um farol pra lhe guiar. Agora estava sozinho em alto mar. Sacrificou sua vida para ajudar as pessoas, pois só a adrenalina de salvar alguém mantinha sua cabeça ocupada para não pensar em suas próprias perdas. Essa vontade de fazer o bem acabou por dominar todo seu tempo. Ele enfinou a cabeça tão fundo dentro da vida das outras pessoas que jogou sua alma fora da própria vida. Vivia pra ajudar. Pra salvar o mundo.
Ele era um herói. Tinha que ser um herói. Nasceu pra isso, pelo menos era nisso que ele fingia acreditar.
Talvez ele tivesse salvado uma vida mais importante pra ele se alguém tivesse lhe dito que existem momentos em que não adianta pular no mar pra tentar resgatar quem caiu, é melhor tentar reparar o barco. Antes de sair para salvar o mundo arrume sua casa.
Câmbio, desligo.
